Quiromancia
A quiromancia é a arte divinatória que consiste em interpretar as linhas e os relevos da palma da mão para revelar o carácter, o destino ou o futuro de uma pessoa. Conhecida em inglês como palmistry, é uma das técnicas divinatórias mais antigas e difundidas do mundo.
Origem e etimologia
A palavra quiromancia vem do grego cheir (mão) e manteia (divinação). A prática está atestada na Índia em textos védicos tardios (há cerca de três mil anos) e na China em manuais que remontam à dinastia Zhou. Aristóteles, na Historia Animalium, refere observações sobre a mão. Na Idade Média, a quiromancia circulou pela Europa através de textos árabes e da transmissão pelas populações romanis, originárias do norte da Índia. O primeiro tratado impresso em francês é La Chyromance de Jean d'Indagine (1531). O termo quirognomonia foi cunhado no século XIX por Casimir Stanislas d'Arpentigny (La Chirognomonie, 1843), que distinguiu a forma geral da mão da leitura das linhas propriamente ditas.
Evolução e tradição
No século XIX, o irlandês William John Warner, conhecido por Cheiro (1866-1936), sistematizou a prática e popularizou-a em Londres, onde recebeu Oscar Wilde, Mark Twain e Sarah Bernhardt. O seu Cheiro's Language of the Hand (1894) continua a ser uma referência. A quiromancia divide-se classicamente em vários ramos: quirognomonia (forma da mão), quiromancia (linhas) e quirosofia (dermatóglifos). Distinguem-se quatro linhas principais: linha da vida que contorna o polegar, linha da cabeça, linha do coração e linha do destino (Saturno). A elas se somam os sete montes — Vénus, Júpiter, Saturno, Sol, Mercúrio, Marte e Lua — que modulam a leitura.
Utilização prática
A tradição recomenda ler a mão dominante (ativa) para o futuro e a não dominante para o potencial inato. O exame começa pela forma geral (quadrada, cónica, espatulada, filosófica), passa aos dedos (comprimento, flexibilidade, falanges) e depois às linhas. Uma linha do coração bem traçada, longa e nítida, indicaria uma vida afetiva estável; uma linha da vida curta não tem, contrariamente à crença popular, qualquer relação demonstrada com a longevidade real. No Tarotoui, pode cruzar uma leitura quiromântica com uma tiragem de cartas para multiplicar os ângulos de introspeção.
Para ir mais longe
A quiromancia não tem qualquer fundamento científico reconhecido. Em contrapartida, a dermatoglífica médica, ramo legítimo da genética clínica, estuda as impressões digitais e as pregas palmares para identificar certas anomalias cromossómicas (trissomia 21, síndrome de Turner). Não confundir com a quiromancia divinatória. Tal como na cartomancia, o valor prático reside no efeito de espelho: a pessoa projeta na leitura da sua mão preocupações que pode então verbalizar.