Mancia
Uma mâncía é uma forma específica de divinação, geralmente denominada de acordo com o suporte ou método utilizado. O sufixo -mancia permite formar uma multiplicidade de termos que designam práticas divinatórias distintas: cartomancia, geomancia, hidromancia, oniromancia, etc.
Origem e etimologia
A palavra vem do grego manteia, que significa oráculo ou divinação, formada, por sua vez, sobre mantis (adivinho, profeta). O sufixo -mancia em português corresponde exactamente ao sufixo grego -manteia. A formação de nomes compostos em -mancia remonta à Antiguidade grega: a nekromanteia (consulta dos mortos), a ornithomanteia (pelas aves), a oneiromanteia (pelos sonhos). Os compiladores medievais e renascentistas, como Heinrich Cornelius Agrippa de Nettesheim em De occulta philosophia (1531), recenseiam e nomeiam dezenas de mâncías. O processo mantém-se produtivo até hoje: fala-se por vezes de ceromancia (pela cera) ou de tasseografia (borras de café).
Evolução e tradição
As mâncías são tradicionalmente classificadas pelo suporte: elementos (piromancia / fogo, hidromancia / água, geomancia / terra, aeromancia / ar), animais (ornitomancia / aves, hepatoscopia / fígados, hipomancia / cavalos), objectos (cartomancia / cartas, cleromancia / sortes, bibliomancia / livros), fenómenos corporais (oniromancia / sonhos, quiromancia / mãos, fisiognomonia / rosto). Os recenseamentos medievais e renascentistas enumeram-nas em número superior a cem. Muitas tornaram-se marginais hoje em dia (extispicina, capnomancia), enquanto outras se mantêm vivas (cartomancia, astrologia, oniromancia, radiestesia).
Utilização prática
O termo mâncía é útil para designar globalmente uma categoria de prática divinatória precisando o seu suporte. No Tarotoui, as mâncías estão organizadas por categoria de suporte: cartomancia para os baralhos, geomancia para as figuras binárias, oniromancia para os sonhos, etc. O termo genérico mâncía serve de introdução à rubrica. Cada mâncía tem os seus protocolos, a sua gramática simbólica e a sua história própria. Um praticante sério especializa-se geralmente numa ou duas mâncías, em vez de praticar várias superficialmente.
Para ir mais longe
O sufixo -mancia serviu por vezes para criar termos pseudo-eruditos: cibermancia (computador) ou internetomancia surgem na literatura humorística, sem existência real. A distinguir das mâncías historicamente atestadas. Note também que nem todas as práticas divinatórias são denominadas em -mancia: a astrologia, por exemplo, conserva o nome próprio formado sobre logos (estudo).