Copa
A Copa é um dos quatro naipes dos arcanos menores do tarot, tradicionalmente associada ao elemento Água e ao domínio das emoções, dos afectos e dos laços. Conta catorze cartas: dez numerais e quatro figuras da corte.
Origem e etimologia
O motivo da copa descende directamente das coppe italianas e das copas espanholas, por sua vez herdeiras das cartas mamelucas do século XIV. A palavra vem do latim cuppa, que designa um recipiente. Nos primeiros tarots italianos do século XV, como o Visconti-Sforza por volta de 1450, as copas tomam a forma de cálices ornamentados. A identificação com a água é antiga, atestada entre os primeiros esoteristas franceses, e sistematizada no século XIX pelas escolas ocultistas: Éliphas Lévi em 1854 em Dogme et rituel, e depois a Ordem da Golden Dawn em 1888. O cálice evoca também o Graal medieval.
Evolução e tradição
O Tarot de Marselha do século XVIII, na edição de Nicolas Conver de 1760, apresenta copas decorativas sem cena narrativa. O Rider-Waite de 1909 transforma cada numeral em imagem figurativa: o 2 de Copas representa um casal trocando cálices, o 3 de Copas três mulheres erguendo as suas copas juntas, o 5 de Copas uma personagem em luto diante de copas derramadas. Esta gramática visual mantém-se dominante nos tarots contemporâneos. A tradição anglo-saxónica diz Cups, e a Golden Dawn associa o naipe à letra Heh do Tetragrama e ao elemento água.
Utilização prática
Em tiragem, as Copas descrevem a vida sentimental e afectiva: amor, amizade, família, intuição, sensibilidade, devaneios. Uma dominante de Copas indica geralmente um terreno emocional activo, por vezes invasivo. O Ás de Copas anuncia uma abertura do coração ou um dom afectivo; o 10 de Copas a plenitude familiar. As figuras da corte das Copas encarnam personalidades sensíveis, empáticas ou por vezes esquivas. No Tarotoui, cada carta do naipe das Copas dispõe de uma ficha detalhada. Muitos consulentes associam intuitivamente as Copas a questões amorosas, o que corresponde bem à leitura clássica.
Para ir mais longe
Reduzir as Copas ao amor é uma aproximação: englobam toda a vida psíquica líquida, incluindo o inconsciente e a imaginação. Note também que, em algumas tradições, como o tarot Thoth de Aleister Crowley, o cálice simboliza especificamente o receptáculo feminino, o que colore a interpretação de forma genderizada — leitura que muitos tarólogos contemporâneos matizam ou rejeitam.