Yantra
Um yantra é, na tradição tântrica hindu, um diagrama geométrico sagrado utilizado como suporte de meditação, oração e visualização. Cada yantra está associado a uma divindade ou a uma energia específica, e constitui o seu equivalente geométrico.
Origem e etimologia
A palavra sânscrita yantra significa instrumento, ferramenta ou suporte, derivada da raiz yam- (sustentar, controlar). Os yantras surgem na tradição tântrica hindu medieval, a partir dos séculos VII-VIII da nossa era. O mais célebre é o Sri Yantra (ou Sri Chakra), atribuído à deusa Tripura Sundari, codificado no Lalita Sahasranama e comentado por Adi Shankara no século VIII. Representa nove triângulos entrelaçados (cinco com a ponta para baixo para Shakti, quatro com a ponta para cima para Shiva) rodeados por lótus e portas. Cada grande divindade do panteão hindu possui o seu próprio yantra: Ganesha yantra, Lakshmi yantra, Kali yantra.
Evolução e tradição
O yantra funciona em paralelo com o mantra (fórmula sonora) e a murti (estátua) como suporte ritual. A tradição Sri Vidya, escola tântrica do sul da Índia, elabora uma metafísica sofisticada em torno do Sri Yantra: é o diagrama do cosmos em manifestação e em regresso à fonte. A geometria do Sri Yantra fascina ainda os matemáticos contemporâneos: a construção exacta dos nove triângulos entrelaçados, em torno de um ponto central (bindu), continua a ser um desafio de geometria prática. Os indianistas universitários (André Padoux, Le Cœur de la Yogini, 1994) publicaram estudos filológicos precisos sobre os textos tântricos fundadores dos yantras.
Utilização prática
A prática do yantra começa pela sua contemplação visual prolongada, frequentemente acompanhada pelo mantra da divindade associada. O praticante fixa o bindu central e em seguida deixa o olhar percorrer a estrutura geométrica do exterior para o centro, interiorizando progressivamente o diagrama. No Tarotoui, o yantra está documentado entre os suportes de meditação tradicionais. Uma cópia pintada ou gravada do Sri Yantra é usada em práticas contemporâneas de inspiração tântrica, por vezes em combinação com o trabalho sobre os chacras. O fabrico ritual de um yantra exige, na tradição estrita, uma iniciação e o respeito das proporções sagradas.
Para ir mais longe
O yantra popular contemporâneo (Sri Yantra comercializado em pendente, autocolante ou tatuagem) está frequentemente dissociado do seu quadro ritual de origem. Confundir yantra (diagrama geométrico preciso) e mandala (composição geralmente mais pictórica) é uma simplificação: ambos pertencem a contextos tântricos distintos (hindu para o yantra, budista vajrayana para o mandala). Note também que a leitura ocidental do yantra como simples objecto decorativo perde a sua função ritual primeira.